A minha filha está a passar por aquela fase em que está a "arrumar" na cabeça as palavras juntamente com o seu significado. E sta é uma excelente altura para viajar com ela de autocarro em Lisboa.
No outro dia estávamos os dois sentados no autocarro durante o trajecto escola-casa quando a certa altura entrou uma senhora vestida para os rigores do inverno. Vinha com uma capa comprida e grossa que a agasalhava do pescoço até aos pés e que me dava calor só de ver.
A minha filha, ao vê-la, fez-me a seguinte perguta enquanto apontava para a senhora:
"Papá... Princesa ?"
De notar ainda que numa criança de 3 anos o sentido da discrição não existe e por consequência toda a gente ouviu a interjeição. Não sou muito de me atrapalhar com estas coisas mas a verdade é que a pergunta me desarmou. O que é que podia dizer ? Que não ? Que era apenas uma sexagenária com frio ? Pareceu-me cruel. Mais para a anciã passageira do que para a miuda. Deveria dizer que sim ? Achei que não era prudente contribuir para distorcer de tal forma a concepção de nobreza que existe na cabeça de uma menina de 3 anos.
A minha opção ? Fazer-lhe cócegas (à minha filha, não à "princesa"). Costuma ser bastante eficiente para mudar de assunto e é um truque que não se esgota.
Ainda assim esta situação não se compara em constrangimento a uma outra passada num centro comercial. A certa altura um senhor, numa fila de caixa, fazia-lhe caretas "simpáticas e divertidas" (aspas intencionais) em estilo galhofeiro quando a minha filha com o mesmo tipo de atitude de quem quer saber mais me pergunta enquanto aponta para o estranho:
"Papá... Palhaço ?"
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1 comentário:
olha que essa das cócegas é uma excelente ideia!!! Nunca tinha pensado nisso... mas compreendo que em alturas de desespero em que temos de ser reactivos é que as melhores ideias nos ocorrem
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